Para evitar câncer de mama: Outubro Rosa

Prevenir o câncer de mama com informação. Esse é o objetivo do Outubro Rosa. Vem com a gente saber mais sobre essa doença.

Outubro Rosa_ fachada do planalto iluminada de rosa

Outubro é mês de falar de câncer de mama. O movimento Outubro Rosa nasceu exatamente para isso: despertar consciência, levar informação, prevenir mortes. Todas as mulheres têm que agradecer a cada marca que patrocina e proporciona eventos durante este mês. Das carretas que oferecem mamografia às palestras; dos materiais impressos a vídeos, há uma enorme quantidade de ação e informação a cada Outubro Rosa que, tenho certeza, salvam muitas vidas.

Como eu sei disso? Melhor me apresentar. Meu nome é Lucia Freitas, tenho 53 anos e sobrevivi ao câncer de mama. E o Outubro Rosa teve um papel fundamental nisso. Eu tive a oportunidade – e vontade – de participar de diversas blogagens coletivas sobre o Outubro Rosa ao longo dos anos, por conta do meu protagonismo entre a mulherada na Internet. E graças a isso, pude coletar e escrever informações importantes sobre o que é câncer (em geral), como prevenir o câncer de mama e como é o tratamento.

Na minha família, como em muitas, nunca se falou muito de câncer – que acometeu e levou diversos membros. A palavra sempre foi acompanhada de medo, temor, tinha cheiro de morte. E seguiu assim até eu começar a escrever sobre a prevenção do câncer de mama para os eventos de Outubro Rosa.

Graças a este movimento, descobri fatos fundamentais sobre o câncer de mama. Que a detecção precoce costuma resultar em 95% de chance de cura. Que, sim, câncer tem cura. Que o câncer de mama é muito bem conhecido da ciência médica, pode ser tratado com sucesso inclusive no SUS. Que realizar os exames anualmente é fundamental.

Informação sobre câncer de mama salva vidas

Nunca vou esquecer do primeiro texto, da Nuna, sobre câncer de mama e a imagem dela, grávida, no primeiro LuluzinhaCamp. A Nuna foi um dos meus faróis (sim, são várias mulheres) para acreditar na vida e lutar pela minha cura.

Depois de três ou quatro anos participando das campanhas de conscientização do Outubro Rosa, em 2012 recebi o diagnóstico: carcinoma ductal invasivo. Choque, susto e, no primeiro momento, um tanto de medo. Do desconhecido, de como seguir em frente, de como seguir no tratamento.

Naquela sexta feira ensolarada de março, descobri a força de enfrentar uma doença grave com energia, de frente, com a cabeça erguida. O quanto é importante a gente conhecer os fatos, ter informação de qualidade e poder conversar com quem já passou pelo processo de tratamento e está em remissão ou curada.

Meu primeiro instinto foi convocar as amigas mais próximas – e informar absolutamente todo mundo com quem convivia. Tô com câncer era a minha resposta padrão quando me perguntavam “você está bem?”. Todo mundo menos a minha mãe. Esta foi a última a saber – por motivos pessoais, só informei a ocorrência quando já estava com tratamento decidido, equipe definida.

Na minha opinião, logo depois do diagnóstico, as mulheres enfrentam uma das questões mais sensíveis. Temos muito pouca informação de qualidade e de confiança sobre o funcionamento de nosso organismo e somos educadas a não questionar orientações (mesmo que esdrúxulas) sobre nossos corpos.

A gente vive isso nas visitas ao ginecologista, nas interferências com nossas decisões sobre o próprio parto, na imposição de determinado método anticoncepcional – em geral, sem maiores discussões. Quando o assunto é câncer de mama, entram em cena outras questões, como a reconstrução mamária, os efeitos colaterais dos tratamentos, sequelas das cirurgias, entre alguns que me ocorrem.

Por isso acho que é tão importante contar como é o caminho, como prevenir o câncer e o que acontece. Assim, todas se sentem prontas para lutar, que têm companhia no caminho. No começo, eu só falava para quem era amigo ou familiar. Não queria expor o que estava acontecendo, acreditava que era pessoal e intransferível.

Só que… eu decidi raspar o cabelo (e, sim, ficar careca) antes da quimioterapia começar. Um time com melhores amigas se reuniu para fazer a produção aqui na minha casa. E qual não foi o meu choque ao ver brotar, ao vivo e a cores, o projeto Descabeladas – mostrando que dá para enfrentar tudo com alegria, amor e bom humor.

descabeladas

Gabi, Drew, Rebeca, eu, Denise e Letícia na sessão de “raspar careca”, antes da quimio começar

E foi assim, munida de vontade de vencer, alegria e do melhor humor possível, que enfrentei e enfrento cada etapa, cada dúvida, cada medo. Porque sim, a palavra câncer dá medo. E também, sim, é possível vencer.

O Outubro Rosa é importante exatamente por isso: oferta de informação do ponto de vista das mulheres, com as nossa experiências e histórias, que toca todas as mulheres e faz com que a prevenção chegue mais longe. Saber antes te faz ter conhecimento sem o susto que vem com o diagnóstico – o que pode significar cabeça mais fria e mais objetividade na hora de enfrentar a realidade.

Lembre que o tratamento de câncer sempre é específico para cada caso e depende de diversos fatores, como tipo imunohistológico, estágio (ou estádio ou estadiamento) e tamanho do tumor. Os médicos irão definir como será o tratamento, que, em geral, consiste em cirurgia, quimioterapia, radioterapia e tratamento oral após a remissão – a ordem dos fatores muda caso a caso e há quem não precise do tratamento oral após a remissão.

O mais importante, como em qualquer outro tratamento, é que a paciente (na verdade sujeito do processo) tenha todas as informações e possa discutir alternativas com a sua equipe de saúde. No meu caso, além dos especialistas, abusei da psicanálise, que foi fundamental para manter a força e o bom humor – junto com a roda de amigos que se formou ao meu redor para me apoiar na caminhada.

Lembrar do tratamento não é algo que gosto ou procuro fazer. De toda forma, a cada outubro, desde 2013, me vejo relembrando e contando tudo de novo. A razão é muito simples: é preciso falar, desmistificar e informar. Mostrar que é possível vencer, sobreviver e seguir em frente ajuda as mulheres que estão em tratamento a lutar por si, por suas vidas.

Prevenção ao câncer de mama

Lucia e Max

A prevenção primária dessa neoplasia tem como medidas uma alimentação saudável, prática de atividade física regular e manutenção do peso ideal, podendo evitar cerca de 30% dos casos de câncer de mama.

O Ministério da Saúde recomenda mamografia bienal para mulheres entre 50 e 69 anos. O acompanhamento clínico individualizado é indicado para as que têm alto risco de câncer de mama – quem tem parentes de primeiro grau (mãe ou tia) com a doença. No Brasil, em 2013, o câncer de mama foi responsável por 14 mortes a cada 100 mil.

No LuluzinhaCamp, fizemos um texto colaborativo – com médicas envolvidas – que está “velho” (é de 2013), mas super atualizado: Câncer de Mama e as indicações de cuidados.

Eu poderia indicar aqui uma infinidade de textos ótimos, mas vou deixar uma lista de indicações que sempre usei como referência:

  1. Oncoguia – Esse site é A referência para câncer. Em parceria com os médicos sempre tem a melhor informação, podem confiar.
  2. INCA – apesar da crise financeira, o INCA resiste. O site é bom e tem muita informação de qualidade.
  3. Se você quer algo mais “pessoal”, além do Descabelas, cujo link já dei, existem vários blogs que contam a história das sobreviventes.
  4. Ano passado a GE me convidou para participar do Mulheres Super-Heroínas e fez um material lindo!

Fotos: Gabi Butcher, Naiara Pontes (abre), GE do Brasil (gif)

 

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Para evitar câncer de mama: Outubro Rosa

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Publicado por Lucia Freitas – 05 de outubro de 2018